Visões da maturidade

Hoje eu tive uma conversa muito legal com uma senhora que mora aqui no sítio. Ela já foi exilada da ditadura, já foi monja budista e teve uma comunidade. Ela conduz meditações todos os dias e tá sendo a primeira vez na vida que eu to conseguindo meditar e entendendo o processo.
Mas o que eu queria contar era sobre um ponto que ela trouxe: como nós mesmo em comunidade vamos desistindo das relações, vamos perdendo interesse pelo outro, vamos criando uma ideia fixa sobre o outro na cabeça e aí tudo vai perdendo a graça, coisas bobas começam a irritar… e vamos nos fechando pra transformação que o outro pode me promover.
Foi legal pq ela trouxe bem explicitamente exemplos de momentos em que tivemos alguns conflitos, e foi legal sentir que ela tava disposta a falar disso abertamente comigo. Senti que ela tava resgatando o interesse pela relação comigo. Ela falou: a gente vai criando preconceitos do tipo: ah você é uma menina que só fica viajando por aí e não sabe de nada. Na hora que ela disse isso eu senti que ela já tava aberta para abrir mão dessa visão fechada, e daí conversamos sobre comunidades, sobre projetos e ideais…

foi legal me sentir ouvida verdadeiramente, sem os pré-julgamentos de antes.

Isso foi importante pra ver que estou fazendo isso com outras pessoas aqui, fixando uma imagem deles e perdendo o interesse de conhecer de verdade, sem julgamentos, sem defesas, sem barreiras.

Parece que essa conversa abriu um espaço dentro de mim.

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O outro ele mesmo

Eu disse que iria na reunião de terça, mas eu não fui. Tinha vontade de participar e ao mesmo tempo estava angustiada com o Pedro, querendo falar umas coisas pra ele. Pensei: vou lá falar depois vou pra reunião. Mas isso foi sem noção, porque dava pra prever que não seria uma conversa rápida.

Essa atitude acho que exemplifica um jeito irresponsável de ser, que eu tenho e não gosto. Quando fico irritada (de leve rs) com o Diego, acho que é porque ele faz coisas que eu queria fazer, mas de um jeito que eu não faria.. pra mim ele é bastante disciplinado. Acho que a diferença é que com o tempo se constrói coisas mais sólidas assim, enquanto o meu jeito é estilo pegar papel na ventania.

Voltando para a conversa com o Pedro, ficou muito nítido que eu não queria desistir da relação. Acho q o impulso de conversar vem de “não estou gostando de você nesse momento, mas eu queria gostar”, algo como o “normal” seria gostar, por isso acho que dá pra procurar juntos onde travou.

Então, conversando, acho que consegui voltar para esse estado, saindo do Pedro da minha cabeça e indo pro Pedro ele mesmo. Quando ele fala dele, o que na minha opinião é raro, me faz ver um pouco do mundo que existe dentro dele, um mundo invisível para mim e que não tem a ver comigo. O enrosco começa quando acho que o que ele faz tem a ver comigo. Perceber que é algo que surge de dentro dele torna tudo mais fácil (mais fácil ter empatia talvez). 

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Check Up 39

hoje na reunião da cozinha de manhã


O Kenji explicou que em breve vamos começar a marmita com menu de peixe, e aproveitou para explicar um pouco como fazer alguns pratos.


O Isayamasan ouviu e começou a falar que ia ser difícil fazer desse jeito e tal


Ai Kenji falou, ok entendi. por favor se acostume.


Eu pensei, massa essa maneira de falar, leve direto, vou imitar,

daí falei


Semana que vem o Nakamura kun não vai estar aqui, então todo mundo se esforça ai 


Ai Kenji falou, não vou me esforçar não


Ai eu falei, beleza


fim


Achei boa essa conversa.


Outra conversa


Hoje foi a primeira de vez de uma nova participante no Encontro As One time C. Entao cada um devia se apresentar e nisso incluir o que está achando divertido ultimamente.


Eu disse que o dia a dia normal esta divertido ultimamente, de maneira que outro dia nem quis ir na montanha com a galera.


O Ryu san ouviu isso e lembrou que no começo quando vim eu odiava trabalhar na marmita, então o Sakai san falou para ele arrumar meus dias de folga de maneira que eu pudesse ir com outro mano passear na montanha.


Ao ouvir isso meu coração ficou quente.


Ai o Toshiyuki falou, Diego vc ficou com vontade de chorar?


Na hora eu disse que nao, mas na verdade os olhos encheram de lágrimas.

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