Check Up 45

Hoje fui até a sala de preparo das verduras daí o Oksabesan falou: esse trampo aqui vai levar muito tempo,que serah que a gente faz? Daí eu fui conversar com o Kenji.


Perguntei se dava para fazer na maquina mas ele falou que os pedaços iam ficar muito pequenos e não rolava.


Daí eu insisti perguntando se nenhuma parte poderia fazer assim, então ele falou deixa quieto que eu mesmo faço.


Eu falei na reunião de check up que alguma coisa nessa conversa não tinha me satisfeito.
O Sugie san falou nesse caso ai você vira o Kenji e faz.


Na primeira hora eu boiei, não entendi o que ele tava querendo dizer.

Depois fui conversando junto com a galera e o que pensei foi que:


A questao eh que o Kenji estava planejando fazer alguma coisa, então o ponto é seu ao ouvir isso tento fazer de acordo com o que ele estava pensando.


Ao me imaginar trocar de lugar com ele parece ser mais fácil de entender.


Tem uma pessoa fazendo o planejamento, então ao ouvir isso acontece de eu tentar entender e fazer o que ele está planejando ou não.


Não me parece uma conversa sobre as ações, mas sobre um estado de coracao.

Acho que hoje ao invés de tentar entender o que estava sendo planejado eu fui pensar a partir das minhas circunstâncias, dos meus pensamentos.


Ontem teve a conversa sobre as coisas se tornarem coisas como se fossem minhas coisas, parece que a conversa eh a mesma. Fiquei pensando que minha compreensão deste estado sem barreiras ainda eh bem rasa.


Outra conversa

Hoje recebi como guia na marmitaria uma turma de colegial.


Os olhos daquela moçada, com brilho, leveza e pureza, deixaram meu coração cheio.


Nao eh a primeira vez, quando eu faço alguma coisa com jovens mais ou menos dessa idade tem alguma coisa dentro de mim que se movimenta de uma maneira diferente do comum no dia a dia. 

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Check Up 44

Hoje na reunião da marmita a Yuki chan levantou uma questão sobre como seriam os estados de coração onde: vejo, relaciono com as coisas e as pessoas a partir de sentir elas como sendo coisas minhas; ou coisas dos outros/coisas de fora.


Eu estou pensando sobre isso desde um tempo atrás.

Hoje a Myoko san falou sobre isso como um estado sem fronteiras.


Um estado de coracao assim.


Isso aqui está se tornando coisa minha, aquilo ali nao estao. Não parece que seja assim. 
No Brasil tem uma expressão que eh: coracao de mae sempre cabe mais um.


Tratar qualquer pessoa como seu filho, um amor sem restrições.

Como será?

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Do desejo à realização

Ontem falei pro Rafael:

-Amanhã vou visitar a casa nova. Se tudo der certo, vou acordar mais cedo para poder ir andando até lá

-Como assim “se tudo der certo”?

-Se eu conseguir acordar…

-Como assim SE você conseguir acordar? Você não quer ir caminhando?

-Quero!

-Então acorda.

Esse diálogo conectou com as minhas reflexões sobre ser uma pessoa responsável. Não tem a ver com “pessoa responsável acorda cedo”. Tem a ver com ir diretamente em direção ao objetivo. Entre o meu desejo e a realização encontrei empecilhos, mas gostaria de encontrar uma reta conectando dois pontos. Quer dizer, gostaria que meu pensamento não focasse em “talvez dê certo, talvez não dê, quem sabe”, mas que focasse em “vou fazer isso e aquilo para dar certo”. Pode ser que não dê, tudo bem, da próxima vez posso bolar outra reta, mas não vou fazer desde o início pensando “seja o que deus quiser”.

Fico curiosa para saber como é para outras pessoas. Acho que dentro de cada um vai ter coisas diferentes entre o desejo e a realização. Para onde vai o foco quando penso em realizar? No exemplo da mudança percebi que, ao invés de pensar “o que preciso fazer para a mudança acontecer”, pensei coisas como “minha mãe não vai gostar dessa ideia”. Na prática esse pensamento não agrega em nada, nem pra mudança, nem pra minha mãe que nem sabe que estou pensando isso. É apenas um desvio. Se eu quiser saber o que ela pensa eu tenho que perguntar. Então é outro desejo e outra realização. Esse é um exemplo que consegui perceber, além do acordar no horário. Acho que tem muitos outros pra descobrir, vou continuar observando, gostei desse tema do realizar.

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Check Up 43

Hoje eu falei que tive uma reação de “não ir com a cara” do Yoshi. Em japanoes a expressão é “não comer o ki” da pessoa. O Sugie San achou estranho eu usar essa expressão e perguntou qual era meu estado naquela hora.
Eu não lembro direito. Na verdade mais do que uma emoção parece que foramais pensamentos do tipo “que que esse cara tá falando?”.

Ao falar desse exemplo o que eu pensei é que nao tô sabendo fazer direito o olhar o eu, a observação do eu. Acho queais do que reação em relação ao Yoshi foi uma preocupação em relação ao tipo de coisas que estou pensando.


Outra conversa


Ontem ao escrever no blog daqui eu apaguei a parte que falo que fui dormir sem o despertador. Eu fiquei preocupado achando que minha posição aqui em relação a algumas outras de pessoas de poder estar fazendo isso é desigual. Então o Sugiesan ouviu isso e perguntou: não pode ser desigual?

Eu acho que eu tenho um apego a esse pensamento que deve acabar servindo como base para atitudes minhas que são mais de pensamento e menos doeu original. Vou observar mais isso.


Outra conversa


Hoje durante o preparo das verduras estava cortando couve junto com o Yamachan. Olhando o jeito dele fazer achei que não virava nada e tentei explicar meu jeito, mas ele não se convenceu e continuou fazendo do próprio jeito. Eu ouvi o que ele tava pensando mas também não senti firmeza e continuei fazendo do meu jeito.


Como eu tinha feito esse mesmo trabalho outro dia eu já cheguei planejando como ia fazer, pensando que tinha que limpar as folhas e tal, mas ele falou que não precisava.


Eu percebi que eu não estava vendo a couve de verdade na minha frente, mas sim fazendo a partir da experiência de outro dia.


Acho que se o Yamachan mudasse o jeito dele fazer ao me ouvir dizer eu nem ia perceber a partir de que estado que eu estou fazendo.

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Check Up 42

Hoje como está sem o trabalho a fazer definido eu resolvi dormir sem agendar o despertador.


Fui acordando ao longo da noite pensando, será que eu durmo mais, será que eu acordo, até quando foi umas 6hs eu acordei e sai da cama.


Normalmente não tomo café da manhã, mas hoje tomei um pão com café. Tirei uma foto e mandei para minha no ZAP com uma mensagem de bom dia.


Fui trabalhar em clima de feriado. Fiquei lavando a louça do lado do Ushimarusan que estava cozinhando e ficamos cantando smoke on the water.Eu me senti o tiozinho que geralmente lava a louça aqui.


Geralmente o Fukadasan faz um miso shiru na hora do almoço, mas como ele não estava eu pedi para a Yuki Chan fazer. Ela fez um sabor clássico com cebola, nabo e cenoura.


Agora a pouco eu comi um monte de almôndega no molho de tomate que serviram na janta aqui e tô indo dormir…

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Dobrar o futon e ir passear

Tem uma série da NHK “10 anos com Hayao Miyazaki” que mostra os bastidores do Studio Ghibli. Mostra vários filmes do Hayao sendo feitos e um do Goro, que é “Da Colina Kokuriko”. A primeira cena do filme era a protagonista acordando e saindo do quarto. Ao ver isso, o Miyazaki pai fala pro filho que se ela é a heroína do filme, então nessa primeira cena ela tem que dobrar o futon. Então a primeira cena é ela acordando, dobrando o futon e saindo do quarto.

Esses dias tenho pensado sobre responsabilidade, disciplina, organização, etc. e lembrei dessa cena porque hoje assisti esse filme. Eu gosto dela por ser bastante singela, um detalhe do cotidiano; mas, ao mesmo tempo, por ser o início do filme, toda a história está contida nessa cena, resume toda a ideia.

Tudo bem, a organização pode ser apenas o fruto de uma educação rígida e as pessoas seguem por obrigação ou no automático “porque é assim que se faz”. Podem até fazer por medo de serem criticadas e para buscar aprovação. Mas não é isso que me interessa. E também não importa se dobrou ou não dobrou o futon.

O que estou pensando é que uma pessoa responsável consegue influenciar mais positivamente e construtivamente o ambiente. Vai ter comida se alguém cozinhar (planejar as receitas, comprar ingredientes, preparar, servir, lavar a louça.. são várias as tarefas do cozinhar), vai ter transporte seguro se o motorista for dirigir sóbrio e descansado, e assim por diante. É possível que as pessoas façam isso porque estão se submetendo às regras do trabalho para ganhar o salário e sobreviver. Mas de qualquer maneira estão sendo responsáveis e úteis pra quem quer comer, se deslocar, etc. Na prática o resultado é esse.

Outra coisa que me intriga é a capacidade de saber (pensar que sabe) o que é melhor e mesmo assim não fazer. Ontem eu preparei uma couve-flor no forno que demorou pra ficar pronta e, quando ficou, pensei “ah, depois eu guardo”. Só que eu não guardei e no dia seguinte estava mofada e tive que jogar tudo no lixo. Eu sabia que tinha que guardar na geladeira, mas ao invés disso fui ver vídeos do Cesar Millan no youtube.

Então fiquei pensando que os cachorros precisam muito passear e dependem dos donos pra isso. Se os donos tiverem a iniciativa, todos os dias eles vão querer passear. Humanos, como eu, todos os dias têm preguiça de fazer exercício. Meu corpixo precisa de movimento tanto quanto eles e, diferente deles, eu posso abrir a porta e ir pra rua caminhar. Mas eu não faço isso, muita gente não faz isso.. não é curioso?

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Check Up 42

Hoje de manhã estava fazendo o arroz na marmitaria. Uma hora o Kenji virou e falou, lava essa panela aí e faz o arroz do sushi.


Primeiro me deu uma reação de antipatia/resistência, mas depois eu pensei tanto faz essa reação e voltei para o estado normal. A partir daí começou a vir na cabeça: no fundo o que serah que ele estava querendo?


Depois de passar mais um tempo ele falou: aprende a ver o horario ai de fazer o arroz por si mesmo que eu não vou ficar falando toda vez isso. Naquela hora o rosto dele ficou vermelho, parecia que ele estava falando algo não muito fácil para ele.


Tem bastante gente na marmitaria que se apoia nele todo dia durante o serviço, fiquei pensando que ele deve ter um sentimento de que as pessoas pensem e consigam realizar o trabalho por si mesmas sem precisar ficar recorrendo a ele toda hora.


Acho que eh meio dificil conseguir realmente saber qual o sentimento dele, mas achei interessante que ao deixar de precisar me proteger um pouco da vontade de tentar conhecer o sentimento da outra pessoa. Se conseguir ir sempre por ai eh bom ein.


Outra conversa


Nesse trabalho de fazer o arroz, tem uma etapa que é esfriar o arroz para ficar a uma temperatura própria para colocar na marmita.


Ao fazer essa tarefa, me veio de repente na cabeça:


To preparando o arroz para alguém; tô preparando a refeição de alguém; aaa to cuidando de alguém!


Eu nao estou trabalhando, estou cuidando das pessoas.


O que existe nao eh trabalho, o que existe é cuidar das pessoas.

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Check Up 40

Hoje acordei mais ou menos umas 4hs: puta sono quero dormir mais, mas em seguida veio um pensamento de que a galera ja tava trabalhando na marmita, ai tive uma reacao do tipo to mandando mal. Ai eu pensei nossa ainta to reagindo nesse tipo de coisa, mas que se foda, agora ta assim, dai resolvi ir trabalhar.


Lá na marmita fui preparar uma refeição que vão ovos, na hora de preparar derrubei uns 5 no chão. Depois percebi que tinha errado a receita e faltaram ovos. Outra hora fui cortar uma cenoura no ralador e cortei o dedo. Depois tava montando umas marmitas e deixei uma montada pela metade cair no chão.

A Milkisan me disse: cuidado para nao acontecer algum acidente hoje. Dai eu falei já entendi pode deixar que já tô parando por hoje.


Depois a gente tava na reunião sobre a higiene no trabalho. Dei uma proposta sobre a maneira de receber as mercadorias, então o Kenji nessa hora virou e falou: vê se vc carrega essas paradas também. Eu pensei acho que ele ta me repreendendo. Aí já deu um link na minha cabeça com a história de ir mais tarde para o trabalho que pensei ao acordar de manhã. Depois pensei se ele estiver me repreendendo também tanto faz, não tem importância.


Eu fiz essa conversa hoje na reunião e depois pensei:


Mesmo que estejam me repreendendo ou pensando mal de mim, o que serah que eu realmente quero fazer. Caso haja agora na marmitaria um clima de ter que trabalhar/responsabilidade, eu quero seguir nesse caminho?


A sociedade onde qualquer pessoa pode viver a partir do seu coracao original, onde, quando, com quem começa?

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Visões da maturidade

Hoje eu tive uma conversa muito legal com uma senhora que mora aqui no sítio. Ela já foi exilada da ditadura, já foi monja budista e teve uma comunidade. Ela conduz meditações todos os dias e tá sendo a primeira vez na vida que eu to conseguindo meditar e entendendo o processo.
Mas o que eu queria contar era sobre um ponto que ela trouxe: como nós mesmo em comunidade vamos desistindo das relações, vamos perdendo interesse pelo outro, vamos criando uma ideia fixa sobre o outro na cabeça e aí tudo vai perdendo a graça, coisas bobas começam a irritar… e vamos nos fechando pra transformação que o outro pode me promover.
Foi legal pq ela trouxe bem explicitamente exemplos de momentos em que tivemos alguns conflitos, e foi legal sentir que ela tava disposta a falar disso abertamente comigo. Senti que ela tava resgatando o interesse pela relação comigo. Ela falou: a gente vai criando preconceitos do tipo: ah você é uma menina que só fica viajando por aí e não sabe de nada. Na hora que ela disse isso eu senti que ela já tava aberta para abrir mão dessa visão fechada, e daí conversamos sobre comunidades, sobre projetos e ideais…

foi legal me sentir ouvida verdadeiramente, sem os pré-julgamentos de antes.

Isso foi importante pra ver que estou fazendo isso com outras pessoas aqui, fixando uma imagem deles e perdendo o interesse de conhecer de verdade, sem julgamentos, sem defesas, sem barreiras.

Parece que essa conversa abriu um espaço dentro de mim.

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O outro ele mesmo

Eu disse que iria na reunião de terça, mas eu não fui. Tinha vontade de participar e ao mesmo tempo estava angustiada com o Pedro, querendo falar umas coisas pra ele. Pensei: vou lá falar depois vou pra reunião. Mas isso foi sem noção, porque dava pra prever que não seria uma conversa rápida.

Essa atitude acho que exemplifica um jeito irresponsável de ser, que eu tenho e não gosto. Quando fico irritada (de leve rs) com o Diego, acho que é porque ele faz coisas que eu queria fazer, mas de um jeito que eu não faria.. pra mim ele é bastante disciplinado. Acho que a diferença é que com o tempo se constrói coisas mais sólidas assim, enquanto o meu jeito é estilo pegar papel na ventania.

Voltando para a conversa com o Pedro, ficou muito nítido que eu não queria desistir da relação. Acho q o impulso de conversar vem de “não estou gostando de você nesse momento, mas eu queria gostar”, algo como o “normal” seria gostar, por isso acho que dá pra procurar juntos onde travou.

Então, conversando, acho que consegui voltar para esse estado, saindo do Pedro da minha cabeça e indo pro Pedro ele mesmo. Quando ele fala dele, o que na minha opinião é raro, me faz ver um pouco do mundo que existe dentro dele, um mundo invisível para mim e que não tem a ver comigo. O enrosco começa quando acho que o que ele faz tem a ver comigo. Perceber que é algo que surge de dentro dele torna tudo mais fácil (mais fácil ter empatia talvez). 

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