Curso para Realizar o “Um” – Impressões

Uns dias antes do curso, tivemos uma reunião de pesquisa da Academia. Conversamos sobre como estamos vivendo agora, se a postura está sendo de continuar a viver como antes da Academia, com uma visão de ser humano e de sociedade preenchida com suspeita, insegurança e essas coisas, ou se estamos realmente tentando fazer algo diferente, pra viver do jeito que somos de verdade.

Acho que durante esses 5 dias de curso, foi ficando mais claro dentro de mim qual o objetivo da Academia, dos cursos, de todas essas reuniões. Do porquê de pesquisar o estado de coração, qual o desejo, como é a forma que realmente queremos tomar.

Durante o curso eu nem entendi direito o que estávamos vendo, na real nem entendo agora também e tentando escrever sinto que fica muito na teoria.
Mas…
Senti que deu um arredondada em tudo que vim fazendo até agora, na Academia, nos cursos, como um todo.
No meio do curso eu senti que não tava pegando muito bem a ideia do material, mas depois que terminou tinha alguma coisa que mudou dentro de mim.
Acho que uma visão mais clara foi se formando, do porquê da pesquisa do ser humano, porquê ir pro trabalho, pras reuniões, a observação, o dia a dia da Academia. Uma visão geral do porquê desse movimento todo, desse formato, e de que esse formato dá pra mudar e tá constantemente mudando pra seguir mais de acordo com o objetivo disso tudo.

Também tem uma certa leveza sobre as manifestações do estado de coração, meu e dos outros.
Acho que eu tinha/tenho algum negócio sobre “esse tipo de reação não é bom”. Fico tentando reprimir certos tipos de pensamentos e sentimentos achando que pareço que “eu to fazendo direito” as coisas (a pesquisa, a Academia”).
Mesmo que na real é exatamente isso que não to fazendo direito.
Mas sinto que quanto mais claro o objetivo fica, mais eu largo mão do parecer.
Vai ficando claro que fingir que não há um estado insalubre só gera um efeito adverso.

Talvez meus valores atuais, de botar peso e colocar como objetivo as coisas que se manifestam (ações e palavras) acabam fazendo eu olhar pro estado de coração insalubre como algo ruim e acabo tentando esconder isso.
Mas o importante mesmo é o olhar de “como tá o estado de coração”.
E isso é só o caminho pra voltar pro estado normal. Esse desejo sustenta tudo isso.

Acho que só começou a nascer esse olhar do todo, e também to escrevendo logo depois de sair do curso, com tudo bem fresco na cabeça. Talvez daqui uns dias isso nem tá claro como agora e sinto uma certa relutância em relação a isso.

Faz 2 dias que o curso acabou, e dentro dessa leveza que sinto em relação às reações, senti que tem alguma teimosia/esforço dentro de mim sobre tudo.
Dentro do pensamento de que “conseguir fazer é bom”, eu tenho reações em relação a reações, tipo “esse tipo de pensamento é ruim”.
E em cima disso, tem um eu que também diz que é ruim pensar que aquilo é ruim. Complicado né.
Mas tá dando pra ver isso de uma forma mais objetiva, consciente. O olhar vai pra como tá meu estado agora.
Tipo saindo de loop que eu tava preso.

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curso para realizar o um – parte 2

Para mim, a participação no “Curso para realizar o Um” foi muito esclarecedora.
Ficou mais clara a conexão entre meu pensamento e meu estado do coração.
Tornou-se mais clara a conexão entre o estado da sociedade e o meu estado de coração.
Pude ver como este estado do coração se forma através da influência do meio ambiente.
Tornou-se mais claro que o estado original de todas as pessoas é de saúde e normalidade, e com isso de felicidade.
Tornou-se mais claro também onde colocar o foco na observação de mim mesmo, ou seja, entender que sentimentos de irritação, de confronto, de não aceitação, de insegurança, são uma manifestação de um estado doente e não normal do coração. Com esse foco posso ver com calma o que está acontecendo, tentando descobrir a causa desse estado do coração e remover a causa.
Ao conviver com outros participantes do curso, também tenho observado como podemos juntos nos tornar pessoas com um coração calmo.
O estado original é flexível (sem fixação) e um (sem barreiras).
Quando lemos sobre a organização da Sociedade Única e sobre o Hub como a existência de pai e mãe dentro da sociedade eu também senti o desejo de me tornar uma pessoa com qualidades de mãe.
Agora tenho o desejo de aproveitar ao máximo a oportunidade que tenho através da minha estadia aqui para aprender e incorporar tudo o que é necessário para alcançar o retorno ao estado original e natural.
Gostaria que olhassem para mim, me acompanhassem, me ajudassem a realizar isso.
Sei agora que isso não é possível sozinho ou com minhas próprias forças.

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curso para realizar o um – parte 1

Depois dos dias no Curso para realizar o Um, não quero voltar ao Brasil agora.
Eu quero ficar aqui.
Aqui eu me sinto em casa, aqui está a sociedade que me acolhe e dentro da qual eu posso amadurecer e me tornar aquilo que eu nasci para ser. Eu quero aprender sobre essa sociedade, me tornar capaz de realizá-la.

“Os movimentos de um grupo de pássaros ou peixes são lindos e metódicos, mas não existe um método para eles serem assim. Não existe motivo nem possibilidade de algo se tornar algo que já é desde a origem.
O que não conseguimos ao nascermos, vamos naturalmente adquirindo aos poucos.
Não precisa de um método para o recém-nascido ter um coração puro, sem raiva e desconfiança.
Não existe uma causa ou um método para o ser humano ser o que ele originalmente é.
Não é algo de melhorar através de atividades e esforços.
Se o objetivo é realizar a figura original do ser humano, não é possível através do “melhoramento” da situação atual.
O importante é como (com qual método) vamos eliminar(retirar) o que causa raiva, ódio, desconfiança e alerta.
Em outras palavras, se precisamos de um método para realizar a nossa forma original, então o caminho é eliminar (retirar) aquilo que nós atrapalha e impede a ser a nossa forma original.
E o que impede e atrapalha a figura original é o pensamento humano.
Através do método ScienZ.
Através desse método cada um pode ter a auto-consciência daquilo que impede e atrapalha.”

Quando lemos este trecho, ficou claro que nos seres humanos também somos como peixes e pássaros. Nós também não precisamos de um método para viver juntos em harmonia. Nascemos para viver assim, harmoniosamente. Nascemos sem nenhum tipo de sentimentos ruins, de desconfiança ou irritação. Se perdemos a capacidade inerente de viver harmoniosamente, tem uma causa. O ser humano na sua forma original não é complexo, complicado, sofisticado e com isso imprevisível e difícil de domar. Tudo isso é manifestação da influência de um meio-ambiente social não-saudável.

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Relato – Curso para Realizar o Um (28/10/2018 a 01/11/2018) Escola Scienz Japão-Suzuka

 Acho que foram 5 dias examinando como seria o estado do coração que pode realizar a sociedade onde cada ser humano pode viver humanamente no seu estado original, sem cercos e fixação. Só lembrei no meio do curso que, no final de 2016, havia lido o texto no Brasil, quando o Ono estava lá, pois nem lembrava, de tão diferente que era. 

        

       Olhando tudo que vim fazendo,provavelmente desde o meu nascimento, em todas as coisas, tinha no meu interior, um coração original e sincero que buscava e caminhava na direção de querer ser próximo e íntimo com pessoas e que tem também em cada pessoa. Esse coração verdadeiro que quer viver sem cerco e fixação. Que quer estar um por ser um.  Tinha algo que atrapalhava a enxergar isso. Atrapalha a não deixar esse um se manifestar livremente. O que é que atrapalha? “Isso” que bloqueia esse sentimento verdadeiro e pelo contrário faz surgir sentimentos de raiva, de ataques, de defesa, que cerca, que separa, que divide?

     A minha relação com os irmão, sempre me pareceu boa. Percebo que existe uma visão, pensamento ou conceito de “irmão”, “família” já arraigado dentro de mim que faz achar que, dentro do que vejo de outras famílias por aí, parece que o nosso relacionamento é bom. Mas percebo que existe em mim, um estado do coração não saudável que tem cercos. Ela não se manifesta claramente e muitas vezes, nem sobe para consciência, como uma coisa já pronta de que “essa pessoa é assim”. Tendo isso, surge o pensamento de escolher palavras e “maneiras de falar” para falar com a pessoa do tipo “ não vou falar sobre isso, pois pode magoar” ou “vou falar delicadamente para ele não pensar que estou irritado”. 

                Quando cheguei aqui a 2 meses atrás, me sentia um pouco preso. Sentia que era tudo meio apertado. As ruas estreitas , casas baixas e meio apertadas, etc. Mas agora não sinto mais isso.  Sinto como se estivesse aqui a muito tempo. me sinto num ambiente onde as pessoas estão presentes. Sinto a atenção de cada pessoa. Uma atenção natural que vem da vontade verdadeira, nada forçado. Uma sociedade feita de pessoas para pessoas.Vejo a manifestação do um. O outro não existe. Existe a pessoa, que como eu, tem um coração verdadeiro. Que tem sentimentos e um estado do coração. Acho que o sentimento que tive no inicio era por causa dos cerco e paredes internos que havia dentro de mim.Não tem nada a ver com com a parede dos edifícios e construções. Me sinto cada vez mais leve.

           Quando ouço e leio sobre o Bolsonaro, me vem os pensamentos de como ”esse cara é ruim!” e me vejo concordando com muitas pessoas que comentam negativamente sobre ele e surge sentimentos negativos por outros comentarem que é ele que vai resolver os problemas do país. Percebo que existe um estado do coração não saudável com cercos que fazem surgir sentimentos de repúdio e pensamentos de que ele vai fazer mal a muitas pessoas, impondo mais regras e leis que vão trazer mais sofrimento a toda sociedade. Mas onde estou olhando? O que enxergo e escuto são palavras. Minha atenção se volta para dentro de mim. Para o meu estado do coração  que me traz esse sentimento de repúdio. Para o estado do coração das pessoas que sentem o repúdio. Para o estado do coração do Bolsonaro. Ninguém nasce com isso. Na essência e no estado do coração de um bebê não tem isso. Esse estado do coração foi formando e moldando com o tempo recebendo as coisas que estão na sociedade. Apenas acabamos nos esquecendo que o estado natural do ser humano, na verdade quer ser feliz, quer viver confortável e seguro.

O estado do coração, formado através do “pensamento do ser humano” não estiver em direção ao “estado do coração  original do ser humano” leva ao estado do coração não saudável do ser humano..

     Conhecendo o estado do coração saudável fica mais fácil. Mas na sociedade atual a pressão exercida pelas IDÉIAS, ou seja,”pensamentos”, também podendo ser chamadas de ficções, já incutidas na sociedade, como sendo uma coisas óbvias, tais  como responsabilidade, direitos e deveres, posse, dinheiro, acabam tornando o coração doente(NÃO SAUDÁVEL). Antes de mais nada, tornar-se consciente de que é pensamento humano, através do conhecimento de si. Para isso é necessário um ambiente seguro onde o coração pode estar aberto, um período de tempo disponível e pessoas para examinar junto, pois sozinho ninguém consegue. Acho que o único meio de poder viver de forma saudável e feliz é “CONHECENDO”. Conhecer o si, conhecer a vida humana, conhecer a sociedade, conhecer o um, conhecer o estado do coração(saudável e não saudável), conhecer o estado original do ser humano, conhecer o estado do coração original. Conhecer é re-voltar ao estado original. É revolucionar.

participantes: Ono, Takemoto, Suzuki Eidi, Hiroya, Sattin, Ines, Kayo, Keigo, Satomi, Tomotyan

 

    

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