Check Up 30

Ontem aí entrar na sala de casa eu vi a Haruka e o Léo sentados próximos dentro do kotatsu (uma mesinha com um cobertor que usa aqui no inverno). Me deu uma reação de ciúmes.


Essa reação em si não foi grande coisa, mas falar sobre ela na reunião do check Up, ou de pensar que escreveria sobre isso no blog, surgiu resistência em mim. Reagindo em relação a minha reação.


O Myoko San perguntou: por que serah tem essa resistência?


Ao tentar pensar sobre isso podem surgir várias inúmeras explicações que nem acho que vale a pena pensar muito. Uma coisa só que apareceu foi que essa “vergonha” é mais em relação aos outros homens talvez. Por exemplo, hoje o Sugie San não estava e pensei que seria mais fácil falar disso hoje.


Mas na verdade experimentar falar também não foi nada de mais, logo ao falar também a resistência para escrever no blog quase sumiu.


Outra conversa (não sei se vou conseguir transmitir essa por que precisa conhecer as pessoas).


Na sala de preparo das verduras a gente estava mechendo com as carnes em 4 pessoas.


Em algum momento eu achei que vi um fio de cabelo e falei em voz alta.


Daí o Milton disse, esse ai é do Diego. 


Eu disse: não senhor, esse aqui é do Kumai San.


O Kumai San falou: meu não, é do Okabesan.


O Okabesan falou: tá errado, esse é do Milton.


Aia gente se tocou que o ambiente estava seguro em relação aos fios de cabelo.

Kumai San

Okabesan

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das lutas que luto, mas não quero lutar

o que deixa de existir, ou, o que passa a existir para que a experiência de conflito se instaure? o conflito é algo inerente ao humano? o que acontece no instante-já que muda e desvela um conflito? o que está em jogo? de onde ele vem? para onde ele vai?

em nome da paz fazemos guerra, mas não queremos a guerra, queremos a paz, mas não sabemos fazer de outro jeito a não ser lutar, é preciso sangrar no campo de batalha, e matar no campo de batalha, e se esquecer de si no campo de batalha… e se esquecer da própria paz, pela qual tanto se luta no campo de batalha. entrar em guerras para lutar batalhas que não se quer lutar. o que está por trás desse dispositivo? o pensamento de que o conflito é algo da essência humana?

eu desconfio, mas eu desconfio com força que o conflito seja algo que queremos e que buscamos enquanto seres. mas é a lógica do conflito que gera conflito para ter menos conflito que opera. essa guerra pode parecer abstrata, mas é real. as vezes é consigo mesmo, outras vezes com o “outro”. exemplo:

um cara grita comigo, me xinga, me coagi, e eu vou à polícia fazer uma denuncia. eu preciso ir, para não correr o risco que isso se repita. não ir é me calar, não ir é ser conivente com essa violência. para acabar com uma estrutura violenta é necessário trincar o dispositivo por onde a violência age. denuncia feita! muitas outras violências pelo caminho… concluída a ação de conflito e a ação de denúncia para acabar com o conflito, estou triste, me sentindo culpada, desejando só que as coisas não fossem desse jeito. Aí me vem… “como tudo isso aconteceu? qual foi o instante de virada para isso? antes dessas ações o que existia, ou, deixou de existir?”

não me parece que a divergência de ideias implique em conflito. há algo mais fundo, lá atrás, o que será? seres humanos inseguros e insatisfeitos na sociedade? seres humanos que se esqueceram de si guerreando para encontrar a paz? por que então não romper com essa lógica social de uma vez? se a virada pro conflito é tão rápida, por que não usar a mesma estratégia para romper com a ideia de guerra? por que não focar em se sentir acolhido e seguro em uma sociedade? por que perder tempo e desgastar relações investindo em um sistema social que já nasce fadado ao fracasso por ter se esquecido do que verdadeiramente importa? e que para se manter em pé usa de violências para combater violências?

se o coração quer paz, por que fazer guerra?
faça paz!

é simples, e o simples às vezes é esquecido.
a reunião de hoje me levou à essas imagens e questionamentos.

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