Check Up 24

Hoje na reunião de como foi fazer da marmitaria a Tomochan contou que ontem ao trabalhar na loja a noite estava atendendo um cliente e na hora foi como se estivesse com seu filho. Achei bem massa essa conversa.


Ao ouvir, parece que na hora não estava rolando nela essa consciência de que era um cliente, ela pareceu se mover pela vontade de querer que a pessoa coma bem e gostoso. Pareceu uma coisa bem de pessoa com pessoa.


Outro dia ela contou que sobre essa história de trabalhar na loja a noite ficou com o sentimento pesado, então ao ouvir que foi divertido hoje surgiu em mim um sentimento de alegria, satisfação.


Isso foi o mais marcante hoje.

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1 mês aqui e as mentiras que sustentamos juntos

Faz um mês que estou aqui num lugar onde foco está em desinvestir no que já está fixado e abrir campo pra experimentar viver com outra base. Com base no real.

Venho experimentando uma sensação de que pela primeira vez não preciso mentir junto com as pessoas. Em todos os lugares que já morei eu sempre sentia que o foco ainda estava nas ficções, mesmo que houvesse uma vontade forte das pessoas por estar em conexão.
A gente sempre acabava sustentando uma mentira. Quer estar na conexão, mas não quer abrir mão das ficções realmente. Acabava que em algum momento só gostar das pessoas, só estar vivendo num lugar legal, não me preenchia. Parecia que tava sempre faltando algo, ou que o nosso esforço estava indo em uma direção que acabava sempre no mesmo lugar. No fim, todo mundo querendo se realizar a partir de um EU, mesmo que fosse um EU comunitário. Eu me sentia sustentando mentiras, reuniões para gerar soluções, reuniões para tratar de incômodos e conflitos, para criar acordos, reuniões para resolver coisas, reuniões para conectar as pessoas. Reuniões para tratar de efeitos. Muito tempo perdido.

Mesmo com o sentimento de amizade e intimidade entre as pessoas, mesmo me sentindo segura e acolhida, se o foco não está no real, parece que nunca realizamos o ideal. Viram ações sobre ideias, ações para compensar faltas, ações para resolver problemas falsos, ações para gerar ganhos secundários, ou seja, em que o ganho está no fim, no resultado e não no ato em si. Ações para ser reconhecido pela comunidade, ações para não causar problemas, ações para se distrair.

Desse jeito fica difícil sentir satisfação de verdade. Para conhecer um estado de satisfação não dá pra ficar se distraindo assim. A gente tá achando que tá fazendo o que administrando a vida com todos esses autoenganos?

Vai encontrar satisfação onde desse jeito? A gente só vai trocando uma coisa pela outra, talvez não seja sucesso e dinheiro, mas quer harmonia e colaboração. E vai pelo mesmo caminho alcançar o objetivo…
Viver com pessoas que querem parar de se autoenganar juntas, talvez seja mais precioso do que querer criar comunidade.

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Aprendendo a sentir

aqui a pergunta é: O que eu sinto?

Vou aprendendo a não ter medo de perguntar e não ter medo de sentir. O sentir é a chave que leva pra reconexão. Algo acontece e aí quero entender, quero me justificar, quero encontrar soluções….

Esses dias eu to achando que uma pessoa está me evitando, está chateada comigo. Comecei a pensar em ir conversar com ela, em buscar fatos que pudessem dizer pq ela estaria fazendo isso, pensar qual seria o melhor jeito de falar com ela… fiquei especulando bastante e com medo do que viria em resposta.

Até que lembrei da pergunta e também que essa sensação não é nova. Quando acho que alguém tá chateado eu fico que nem barata tonta pensando em como fazer para mudar essa situação. Até que eu resolvi deixar a outra pessoa de lado e ver o que eu tava sentindo. Percebo que estou triste. Tem tristeza em mim. Tem alguém que quer muito estar conectada com as pessoas, mas está buscando conexão na base errada. Se espero que conexão seja o que me parece uma harmonia, uma aceitação do outro, eu to querendo oq? Se eu fico cuidando para não desagradar o outro, eu to querendo oq? O que tá me movendo? Parece que é um caminho sem fim, que mais afasta do que conecta.
Estar aqui em retiro podendo viver essa pesquisa convivendo com outras pessoas com esse foco ativo vai deixando tudo mais sutil, mas facil de ser percebido.

o que estou fazendo aqui? Estou querendo aceitação? Estou querendo ficar em harmonia? Estou querendo ser reconhecida? Estou querendo evoluir? Estou querendo aprender? Parece que não é nada disso!
Estou querendo afirmar um EU. Pronto está aí a desconexão. Vendo as pessoas a partir de um EU fixo.

quando me pergunto o que sinto, e sinto tristeza, tem um EU que acha que não pode ficar triste, e tem esse sentimento me ligando a algo mais profundo, me convidando pra ir pra dentro olhar o que tá ali, e não no que esse EU fixo quer controlar.

O EU fixo quer controle. E isso é a maior desconexão. Como posso controlar o que o outro sente? Como posso querer mudar a reação do outro? Como posso querer controlar se até mesmo o que vejo do outro eu não posso afirmar como fato?

Dai o que me resta é: o que eu sinto? E ver o que surge daí, de dentro. Não de especulações, de ideias, de tentavas de soluções…

Mesmo assim, ficar no que sente não é fácil, logo da vontade de fugir. De ir logo pra algo que ameniza o sentimento. Mas pq ele tá ali? O que tá fazendo brotar? Fica aí mais um tempinho, não foge. Tá bom, o que vem depois da tristeza? Me sinto inadequada. E o que vem depois? Me sinto rejeitada. E o que vem depois? Me sinto inferior. E depois: nada… tá aí aquela velha e conhecida insegurança.
O EU fixo não quer demonstrar insegurança. O Eu fixo quer controlar as situações para não aparecer insegurança. Mas a insegurança também está no EU fixo. Ela não é da essência. Ninguém nasce inseguro, não existe isso no real. Ufa, encontro algo aqui que não é o que penso que sou eu.
Esse algo não se desconectou. Esse algo que se move aqui agora, vivo.

sinto vitalidade, olho pra situação e ela ficou pequena. Não me sinto separada, vejo que na minha insegurança eu tive reações que me afastaram dessa pessoa, agora vejo eu me afastando e não ela. Agora eu vejo que meu EU fica muito grande, alerta, quando ela está por perto. Fico me calculando. Vem um cansaço. Eu to cansada de sustentar esse estado. Acho até que queria que ela se afastasse mesmo, para não ter que sustentar esse estado por muito tempo!

Nossa eu me dei conta de que queria que essa pessoa se afastasse! Por medo dela me perceber e por cansaço, por estar farta desse estado de alerta. Ou seja, eu acho que essa pessoa é a causa do meu estado de alerta.

Eu acho ela arrogante e insensível. Mas se for olhar bem, é assim que eu tenho agindo com ela. To projetando nela a forma como eu reajo quando me sinto insegura.
Posso abrir mão desse caminho?Do caminho da desconexão!


Eu to aqui pra que?pra fazer tudo igual? Pra manter as mesmas reações de sempre? Quero estar mais próxima desse algo movente vivo. Todo coração quer. Todo coração quer estar limpo, vívido, sem barreiras.

o que pode acontecer se eu abrir mão da arrogância e invulnerabilidade (insensível)?
Dá um medinho, Volto na história que criei na minha cabeça em relação a essa pessoa e vejo que me apeguei nessa história, da forma como eu tava contando antes. Ok, abre mão dessa história, nada aconteceu como você achou. Ok, não sei o que a outra pessoa fez de fato, como ela se sente de fato, posso abrir mão dessa história. Vejo Que a história estava me fazendo desistir dessa relação. Um conjunto de acontecimentos que eu percebi da ótica da insegura x arrogante.

A arrogância sustenta a insegurança. Enquanto eu me sentir insegura parece que a arrogância vai ficar ativa. Me sinto assim pq não sei como agir perto dela, é uma pessoa sedutora, é assim que a vejo. Fico desconcertada. Me sinto sem controle perto dela. Ufa! Esse o ponto, agora assumo que fico assim desconcertada e aí boto uma capa de arrogante pra ela não perceber. Desconcertada não precisa ser insegura. Posso lidar com o desconcerto de outro lugar, achei até divertido agora!

é isso! Boa noite!

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