5° encontro – Jornada da Escuta

sai aflita com a questão da escuta.
é impossível ou só difícil escutar o outro?
pra mim tem uma coisa de que pra ouvir tem que tá perto, dar tempo.
mas aí eu percebo que minha escuta estava pressupondo uma ação, eu escuto meu aluno de taichi, não só as palavras mas o corpo dele para então fazer com que ele pegue um movimento. eu escuto/ausculto meu irmão de 3 anos para captar a necessidade dele naquele momento. eu ausculto um amigo para. eu não escuto meu pai para. eu escuto para.
escutar exige tempo, claro. tá junto e tudo mais. além de ser algo legal tá junto.
mas no fundo no fundo escutar e ver o outro sempre vai tá impregnado com minha subjetividade, né? não só subjetividade psíquica, mas estrutural até, do meu corpo e tals.
se tiro da frente a “produtividade” da escuta.
se tiro o escuto para, ou, não escuto para….
se eu somente “escuto”? parece que escutar o outro se revela algo bem mais complexo qdo tira o para. perceber essa complexidade me gerou uma afliçãozinha.
não sei ainda de onde veio isso.

me lembrei de um poema do Pessoa:
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo


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