Para que pensar demais

Fico o “tempo todo” ouvindo meus pensamentos e interpretando como se viessem de fora.
Minhas reações a mim mesma são colocadas em jogo o tempo todo e alimentam o meu pensar. Mudam muitas coisas, criam muitas coisas.
Interessante pensar que sou uma fábrica de pensamentos, eu não sou o que penso que sou.
A cada hora penso uma coisa ou milhares delas, e a cada hora sou uma nova pessoa, e sempre interagindo com o meio.

Acho que capto pouco de fora…

Uso pouco tempo percebendo as coisas.



0

dois interesses (de uma pessoa saudável)

para o meu coração,
o maior interesse é “o verdadeiro coração, o desejo que vem do coração verdadeiro do próximo”

para a minha inteligência,
o maior interesse é “como será na realidade? como será na verdade?”

a pessoa vive o seu cotidiano tendo como base os “dois interesses”: o coração a inteligência.

talvez seja isso. . .

by Ikawa

1+

não consigo falar o que penso para o outro

“se eu digo isso, ele vai pensar assim . . . “
“se eu digo o que penso, é provável que vai magoar o outro. . .”
mas. . .
“não quero magoar o outro. . .”
está falando do outro?
está falando de si?

0

3a semana jornada da escuta

meio externo->percepção->meio interno->expressão->meio externo

ou

o mundo -> o mundo em mim -> eu -> eu no mundo -> mundo

Descubro que sou muito míope, então faço um óculos. Com óculos penso que “vejo melhor”, porque acho que o que eu vejo e aquilo que vejo ficam mais parecidos; o mundo mais perto de mim. Quando eu sinto/penso uma coisa, mas expresso outra, tenho a sensação de ser um borrão aos olhos do mundo.

//

perceber e expressar

inspirar e expirar

por algum tempo podemos controlar a respiração, mas no geral nem notamos que estamos respirando

imagina ter que pensar toda vez pra expirar?

é como querer falar e não conseguir

mendokusai !

3+

01 de Maio – 3º encontro da jornada da escuta

Acabei conversando com meus pais e entrando em outra conversa online depois da reunião e não consegui escrever logo em seguida como queria, então um pouco das impressões já se perderam. Mas mesmo um pouco cansado quero escrever ainda hoje.

Começamos a reunião falando sobre a escrita no blog. Gostei de ouvir alguns relatos de pessoas para quem isso funciona e é uma pesquisa viva, e tomei como um certo chamado para mim: acho que não escrevo tanto no blog por pensar no que é que é esperado como “pesquisa”, pensando que seria qualquer coisa mais específica do método Scienz ou relativa aos temas pontuais dos encontros. Ouvindo as pessoas, me pareceu só uma desculpa esfarrapada para não encarar a real coisa de fazer a pesquisa, que me parece ser olhar de verdade e com curiosidade para os conteúdos internos. Ao pensar que fazer a pesquisa, nos encontros e por escrito, seria de alguma forma responder as perguntas ou gravitar ao redor dos temas trazidos pelas pessoas, parece que perde a vida e vira só um jogo comunicativo e intelectual (por mais divertido que possa ser). Pensando nisso, me senti provocado a ocupar mais o espaço do blog realmente recuperando e investigando como as coisas foram para mim no encontro e durante a semana, prestando menos atenção no que seria “pesquisar certo”.

Nesse sentido, o encontro me marcou particularmente a partir de uma percepção que me veio na leitura do texto d’ “o que é o encontro as one” e durante o encontro mesmo, essa coisa de que o encontro seria uma maquete da sociedade onde todos podem falar tudo o que quiserem. Fomos falando, falando, e ao pensar sobre minhas dificuldades para conseguir falar nas relações, fui percebendo também como elas se manifestavam ali mesmo no encontro e na conversa com as pessoas do grupo. As vezes que falei, tive a impressão de que não estava plenamente consciente daquele falar, não escolhia exatamente os temas e a abordagem. Partindo de um ponto inicial, ia tentando costurar para conseguir fazer uma fala interessante, relacionar o conteúdo que eu decidi que era “o ponto” da minha fala com o que alguma outra pessoa tinha falado. Nem lembro mais exatamente sobre o que eu falava, mas uma hora eu disse alguma coisa e o Itamar balançou a cabeça, parecendo meio que questionar o que eu estava dizendo, e eu já atalhei dizendo “é, mais ou menos, não é totalmente assim”. Eu nem sabia bem onde ia chegar e o que queria dizer, aí só de olhar a reação dele e pensar que ele estava discordando já reagi me defendendo, relativizando uma frase.

Depois de falar, me senti um pouco frustrado. Acho que tinha vontade de conseguir me expressar melhor, ser ouvido. Não era uma frustração com as outras pessoas, pensando que elas não me ouviam, mas uma sensação ruim de não conseguir estar em contato comigo e tranquilo para falar. Talvez isso tenha a ver com essa vontade de falar bonito, de “participar da discussão”, uma coisa que parece mais externa e menos relacionada ao estado interno mesmo.

Eu fiquei particularmente com vontade de “participar” porque estava animado com o rumo da conversa. Senti que estávamos tateando terrenos novos, elaborando em cima do que cada um ia trazendo que mexia consigo daqueles temas. Parecíamos realmente estar tocando em assuntos verdadeiros, ou caminhando nesse sentido. Por outro lado, daí vinha minha insatisfação também: estávamos arrodeando temas verdadeiros e eu não conseguia estar totalmente ali falando como estava, ao falar entravam coisas pelo meio que me levavam a fazer uma fala que parecia dialogar mais com a minha cabeça do que com as pessoas ali.

Me veio uma tranquilidade quando olhei essa frustração e pensei que é para isso o encontro então. Seguir a pista dessas coisas que quer falar, observar o estado interno quando fala e percebe que não era bem isso, e ir navegando, acreditando que estamos todos ali de coração querendo falar e ser ouvidos e não só jogar joguinhos.

Me lembrei de uma sensação que tive algumas vezes nos diversos tipos de encontro de pesquisa. Às vezes sinto que estou numa ideia de “fazer pesquisa” mais impessoal, como que querendo fazer certo, ouvir o outro e analisar bem, falar olhando bem o que falo… Acho que as vezes que senti mais de verdade a coisa de fazer pesquisa foi quando estava entre pessoas mais conhecidas, que eu coloco sob o rótulo de amigos e me abro mais fácil. Aí parece que brota um sentimento mais imediato de interesse nos assuntos da vida da pessoa e no conteúdo emocional da fala, bem como uma naturalidade maior de querer abrir e mostrar como tá dentro de mim, por razão nenhuma além de mostrar, porque são meus amigos. Penso que essa abertura e calor amoroso vai se construindo com o tempo e a convivência, mas que também é engraçado como têm sua dose de arbitrário em quando e com quem de repente eu decido que estou “entre amigos”. De fato parece possível ser amigo de todo mundo, e olhar para esse campo interno do ser parece abrir a porta mesmo para olhar todo mundo com um olhar mais atento. Mas penso que a amizade e a abertura também sempre se constroem de pessoa com pessoa, com esse calor amigo que é sempre singular.

(Uma anedota sobre ser amigo de todo mundo e fico por aqui por agora: Esses dias estava andando no centro da cidade e pensei que uma coisa que me atormentava muito na época do colégio era saber o que é verdade para as pessoas e se tinha alguma verdade mais verdadeira que outra. Sempre me pegava, e ainda pego, meio confuso diante de algumas crenças das pessoas sobre como o mundo e a sociedade funcionam. Fico pensando: “será que na verdade é assim?”. Quando penso assim, o mundo parece um lugar complicado e perigoso. A “verdade científica” do método Scienz, de que pessoas são todas pessoas, têm estados internos e falam várias coisas pra tentar expressar como está dentro, parece uma verdade que explica bem o mundo e facilita as coisas. Pensando que por mais complicadas ou arraigadas que sejam as crenças das pessoas elas ainda são pessoas, e as coisas que elas falam são faladas por um humano, parece que bastante do medo é substituído por curiosidade mesmo. Esse dia andando na rua estava olhando as pessoas bastante com essa curiosidade pelo ser humano e sentia menos medo, aí pensei nisso)

3+