Últimos 3 meses na As One

Olá pessoal, fico contente que foi criado esse blog. Tenho vontade de ouvir das pessoas que estão no Brasil fazendo os cursos do ScienZ o que estão pensando, pesquisando, os temas, etc. Também fico feliz de poder colocar algumas reflexões em português quando houverem.

Abaixo segue minhas impressões dos ulúltim3 meses na academia do ScienZ aqui no Japão, talvez fique fora de contexto porque não coloquei minhas reflexões anteriores, mas vou colocar para estrear o espaço aqui. Abraços

​Impressões dos últimos 3 meses

Estou a 1 ano e 3 meses estudando o método ScienZ na As One Comunity no Japão.

Há 2 ou 3 meses atrás durante uma reunião de pesquisa da Academia junto com o Ono, percebi que tinha uma parte dos meus sentimentos, emoções que não queria aceitar, estava tentando esconder de mim e dos outros. Esse esconder era uma tentativa de proteger a auto imagem que criei de pessoa esperta, inteligente, e essa imagem não poderia sentir esses sentimentos, emoções, por isso ficava forçando essa ocultação.

Ao mesmo tempo, já tinha percebido que os complexos de inferioridade e superioridade são apenas duas faces da mesma moeda. Para não me sentir inferior preciso ficar buscando apoio em coisas que me fazem sentir superior. Mas percebi que esse mecanismo não tem fim e que para me libertar disso não devo tentar entender somente os sentimentos de inferioridade, mas se faz igualmente necessário conhecer o sentimento de superioridade.

Então, quando ficou claro naquela reunião que estava escondendo as emoções que anulariam minha imagem de superioridade, percebi que nesse momento era um ponto chave a ser pesquisado e conhecido mais afundo. Poderia estar aí a chave de uma grande libertação.

Esse desejo de liberdade me motivou a começar a me expor justamente nos pontos que considero mais difíceis, ir falando deles para as pessoas. Comecei a sentir que conforme vou falando vou me distanciando e podendo olhar com mais objetividade, entendendo aos poucos que são minhas ficções, meus pensamentos.

Conforme vou falando sobre esses pontos “difíceis” ao mesmo tempo vou cada vez mais aceitando tudo que surge dentro de mim, e assim fica mais fácil me expor em qualquer sentimento. To percebendo que gera uma retro alimentação nesse processo:

Poder falar -> aceitar os sentimentos -> poder falar

Acho que o ambiente da academia, convivendo com pessoas que estão se dedicando a usar o método scienZ, tendo sempre conversas sobre os sentimentos e com pessoas com vontade de pesquisar a essência humana é fundamental para poder me expor em qualquer ponto confiando completamente que serei acolhido como sou, plenamente. Talvez até ao contrário da sociedade atual, aqui quanto mais me exponho mais me sinto parte do todo, mais me sinto um só, mais me sinto seguro.

Sinto que evolui bastante em relação a falar e observar meus sentimentos, mas acho que ainda tem uma boa parte pela frente. Quando falar o que estou pensando está relacionado ao trabalho ou alguma outra atividade, sinto que esses meus sentimentos não saem com a mesma clareza e naturalidade, sinto que ainda tem muito medo e receios sobre minha visão de trabalho, visão de relacionamento com as pessoas.

Por exemplo, hoje cedo, resolvi descansar sem nenhum motivo específico, apenas não queria ir ao trabalho, acolher esse meu sentimento ainda não é tão fácil. Ainda de manhã veio uma mensagem do Nezukun dizendo que na marmitaria estava faltando pessoas e que ele gostaria que eu fosse se pudesse. Ao ler essa mensagem me surgem pensamentos como:

  • aquele dia o Go San me deu uma faca de presente, agora eu não vou lá ajudar no trabalho.

  • o kumai San essa semana está comprando os ingressos do cinema para gente, mas eu não vou lá ajudar.

São pensamentos, auto cobranças que me impurram para ir ao trabalho. Eu mesmo coloco uma pressão psicológica para eu ir trabalhar. Não surge o sentimento puro de querer ir, mas parece que não posso simplismente não querer ir, se não for o trabalho complica, as coisas ficam ruins por lá por minha culpa e minha relação com as pessoas vai para o ralo. Percebo que a medo e insegurança no meu coração.

Essa minha visão de trabalho é uma coisa que quero conhecer mais a fundo daqui para frente.

Acho que me libertando desses medos e inseguranças talvez abra espaço para poder ver meu desejo original. Agora parece que ele se confunde com vários pensamentos do tipo: fazer porque é bom, fazer porque é necessário, fazer porque é útil, etc o querer fazer está sempre conectado a uma explicação, a um por quê, como seria ouvir a vontade pura? Como será fazer o que quer fazer se movendo pelo coração? A partir de agora são os pontos que quero conhecer mais.

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