Relato Naikan 28/10 – 03/11

Entre os dias 28/10 e 03/11 eu fiz o meu primeiro Naikan, por esses 7 dias tentei revisitar as minhas memórias. Eu tinha uma sensação que conseguiria chegar até o final do curso por ter feito um outro curso parecido (Vipassana) ainda nesse ano, mas estava com medo de não conseguir fazer a pesquisa, não conseguir seguir o que estava sendo proposto. Neses últimos meses quarentenado (pandemia) e sem trabalhar, fui entrando aos poucos em um estado depressivo e de pouco movimento, sendo cada vez mais difícil “pesquisar” e tentar “olhar à partir do Zero”. Tenho participado dos encontros semanais online e através deles fui notando que conforme o tempo foi passando, a dificuldade de pesquisar ia aumentando.

Dado esse cenário, sem não ter conseguido um emprego até o momento, achei que era um momento oportuno pra fazer o Naikan, já que sempre quis fazer o curso e nunca batiam as datas. Nos primeiros 3 dias eu tive bastante dificuldade para me manter concentrado, ficava com bastante sono e de certa maneira, o café acabou me ajudando nesse aspecto. Acho que o quarto e o quinto dia foram os dias em que eu estava me sentindo melhor, ao pesquisar o “eu” em relação ao meu pai e minha mãe pela segunda vez. Os momentos das refeições eram sempre uma espécie de refúgio <3

Um aspecto que foi me ajudou durante o Naikan foi me importar cada vez mais em lembrar das coisas (ato apenas de pesquisar) do que tentar anotar o que tinha lembrado, ou me preocupar o que que eu ia falar pro ouvidor.

Na primeira vez em que pesquisei a minha mãe eu consegui lembrar de bastante coisa que ela tinha feito por mim, mas não estava sentindo um agradecimento no coração. Já na segunda vez que pesquisei a minha relaçao com ela eu tive um sentimento muito forte por tudo que ela já fez e ainda tem feito por mim. E ao pesquisar os últimos anos que sai de casa pra fazer faculdade no interior percebi o quão pouco fiz por ela, mesmo depois de voltar a morar com ela ao terminar a faculdade.

Em relação ao meu pai, vi o quanto que ele trabalhou para poder prover para a família e o quanto ele me ajudou, principalmente nesse período da faculdade. Outra coisa que pude ver melhor com as lembranças foi o papel que o meu tio teve na minha adolescência, praticamente como um segundo pai. E sendo filho caçula, os meus irmão sempre estiveram presente me ajudando. Dessa forma, conforme os dias foram passando, foi ficando mais claro que existe toda uma rede da família que me criou e cuidou de mim até o momento presente.

Dediquei um tempo ao período da faculdade e vi como me vitimizei em alguns problemas que passei. Em relação ao namoro, lembrei de tanto trabalho que dei (e como meus pensamentos eram diferentes na época) e em troca recebi muito amor.

Sobre esse último ano, vi que continuo dando trabalho, me vitimizando e sendo egoista. Saiu do Naikan querendo pesquisar mais e espero contribuir por pelo menos uma parte do que fizeram por mim em todos esses anos.

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