Minhas impressões do curso Conhecer a Sí

Conhecer a Sí

No primeiro dia entrei em contato com a dificuldade de apenas observar sem definir nem julgar, perceber isso me ajudou a ficar mais atento em permanecer observando.
Entendi que dou importância para dar razão, concordar e concordarem comigo mas que gostaria de dar importância para a compreensão, compreender e ser compreendido.
Por fim entendi que, quando sinto que ainda preciso me conhecer mais, ainda há espaço para me manter aberto e não me fixar ou me limitar.

No segundo dia tive uma noção do limite da minha percepção ao entender que questionar aquilo que percebo como sendo intrínseco ao objeto de observação, ou como parte da minha capacidade de perceber amplia as possibilidade de entendimento, tanto do objeto de pesquisa como dos processos envolvidos na observação, e dos limites dos meus sentidos.
Ficou mais claro pra mim o quanto a minha compreensão do que os outros partilham me faz desenvolver carinho pelas pessoas do grupo, a cada fala a importância do que estão dizendo aumenta pra mim.

Terceiro dia: Só posso experimentar o mundo através da minha percepção, com todos os limites que identifico ou não.
Entender que a realidade pode ir muito além da minha capacidade de percepção abre uma enorme gama de possibilidades daquilo tudo que me escapa. isso me traz um senso de responsabilidade sobre aquilo que percebo como sendo algo meu e não pertencente à realidade.
A consciência dessa limitação parece me colocar em contato direto com o valor de acolher outras percepções diferentes e complementares as minhas.

No quarto dia senti que sempre me considerei questionador e isso foi reforçado pela percepção de outras pessoas, mas percebi que quando questiono algo do mundo ao meu redor, me baseio em certezas à cerca de minhas percepções, experiências, memorias, conhecimentos. Quando volto o questionamento para mim e me questiono internamente, perco algumas certezas e ficar questionando o mundo exterior deixa de fazer tanto sentido.
Compreendi um pouco melhor que, apenas a auto-observação, e não a observação do mundo exterior, pode me levar ao processo contínuo de buscar ir conhecendo a Sí.

Quinto dia: Desconhecer a Sí
Será que, acreditar é escolher confirmações das convicções que me confortam? Então por que escolher convicções limitantes como “não posso, “não consigo”?
Será que, se colocar limitações pode ser confortante? Perceber que a percepção é apenas percepção, é autoconsciência?
Não me conheço, isso é ótimo, e libertador! Me parece que autoconfiança é escolher acreditar nas minhas percepções como sendo a realidade concreta.

No sexto dia, ao fim da semana percebi que vinha realmente dando muita importância em dar e ter razão e menos importância do que gostaria para compreender e se fazer compreender, ficou como algo a me observar no cotidiano.
Entendi(?) o valor das percepções dos outros para mim. O que me escapa vai muito além daquilo que sou capaz de perceber. Aquilo que percebo faz parte de mim, não necessariamente da realidade.
Enquanto questiono o mundo exterior me baseio em certezas e não há espaço para me questionar internamente. Apenas voltando os questionamentos para meu íntimo posso conhecer mais de mim.
Em quais convicções escolho confiar? Escolher acreditar nas minhas percepções, me impede de perceber que minhas percepções não são a realidade em sí.

Tomando a percepção como parte de mim, quando questiono estou questionando a mim e não o mundo real. E me questionando se torna possível tomar consciência de velhas crenças, limitadoras a meu respeito e tentar me libertar delas. Quando assumo que não me conheço, amplio muito as possibilidades de ser eu, fico mais leve para alçar novos vôos em quaisquer direções. Ao colocar em palavras fico com a sensação desconfortável de estar me repetindo e simplificando algo muito mais complexo, mas entendo que o desconforto me move a continuar tentando entender mais e melhor sobre mim mesmo e isso me parece algo bastante positivo.
Certezas podem até trazer algum conforto mas limitam, as dúvidas podem trazer algum desconforto e libertam! Se questionar e explorar os limites do que posso ser pode não ser sempre prazeroso, mas o resultado me parece muito proveitoso.

Ao brotar a autoconsciência percebo que tudo que acreditei se trata de percepção individual, escolha, e formas de classificar, catalogar, que acabam definindo, limitando as possibilidade de viver e ser. Entendendo essa natureza das crenças se torna possível me libertar daquelas que me impedem de ser e viver plenamente e me permite ir me conhecendo cada vez mais, sem cair na ilusão de que já me conheço, como se fosse algo pronto, imutável e terminado, mas sim algo dinâmico, vivo e livre.

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