Jornada da Escuta 27 a 29/09/19

 

 

 

 

 

 

~repercussões~

No primeiro dia da Jornada, lemos um texto sobre o objetivo e o modo de fazer essa conversa/pesquisa. Um desses modos era: “com autonomia mútua”. O que seria “autonomia” e o que seria “autonomia mútua”? Penso que “autonomia” é algo da pessoa consigo mesma e “autonomia mútua”, algo de pessoas com pessoas – que lembram que são autônomas e que o outro também é. Esse nem era o tema da Jornada da Escuta, mas acabou sendo o meu tema, paralelamente. Quando fui tentar definir “autonomia”, disse algo do tipo: “quando uma pessoa sabe o que faz bem pra ela e mesmo assim não faz isso, ela não tem autonomia”. Então o Alam complementou: “como o vício do cigarro”. Nesse momento percebi que a minha definição de autonomia estava em abstrato, porque eu não tinha pensado de fato em mim. Mas quando ele falou isso, um exemplo bastante simples até, percebi que eu não tenho autonomia em relação ao cigarro, e isso me deu gás para buscar o que mais será que não tenho autonomia? Então no almoço, conversando com a Marceline sobre Suzuka, a fala dela chegou assim para mim: “você não vai pra lá porque precisa ficar aqui por um diploma?”. A partir daí comecei a pensar sobre a escolha de fazer faculdade pela segunda vez, agora um curso de 5 anos, período integral. O que eu estava pensando e sentindo quando decidi fazer isso? O que estou pensando e sentindo agora?

Na época, acho que queria ocupar a vida com alguma atividade intensa; mas agora penso que a vida não precisa ser ocupada como se fosse um recipiente vazio. A vida tem conteúdo, ela mesma, um conteúdo próprio, que se manifesta concretamente em mim, já que sou um ser vivo. E talvez até ela diga “ei tira isso de cima de mim”, quando tento encher o recipiente já preenchido. Também para o tempo eu não estava dando importância e agora dou bastante importância; porque, sendo um ser vivo, minha vida é finita e, por isso, existe no tempo. Então também o tempo eu estava considerando como algo sem conteúdo, mas apenas forma, quantidade medida em número de anos. Pensando apenas como forma é como se passado, presente e futuro fossem iguais. A partir do conteúdo, porém, o tempo não se repete nunca, é sempre o agora em constante renovação, que pode ser no sentido transformador ou conservador. O problema é querer conservar o impermanente. Então pode ser que o conservar seja também um transformar, mas no sentido do embrutecimento, que apenas repõem camadas pré-existentes e reforça vias já trilhadas.

Olhando de fora (só para o deslocamento no espaço de tempos em tempos), ir para a Vila é a atividade mais constante/permanente que fiz nesses últimos anos. Olhando de dentro (o que de fato fazemos lá) é pura inconstância/impermanência, porque colocamos a atenção em como está agora. Parece contraditório, mas é complementar: dá vontade de continuar indo, porque não enrijece. É uma roupa que sempre cabe, mesmo que a gente engorde ou emagreça; ou simplesmente é a atividade que não precisa esconder/conformar o corpo que a gente é.

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