Impressoes Naikan

Dessa vez fazendo naikan teve dois grandes temas bem distintos, um primeiro que eh esse naikan do que as pessoas fizeram por mim, como retribui, quais os problemas que causei. Na segunda metade da semana fiz um naikan olhando para minha historia a partir dos pontos de vista de ter mentido para mim mesmo, ter escondido meus sentimentos de mim e dos outros, ter agido me preocupando com o que os outros pensariam.

Olhando para a relacao com a minha Mae, dessa vez consegui deixar mais de lado meu julgamento sobre as decisoes dela e colocar o foco no sentimento dela, de qual sentimento ela tomou cada acao. Por exemplo, quando penso que ela me colocou no estudo da igreja, como nao gosto da igreja, nao me vinha uma recordacao boa, mas tentando deixar o que penso de lado, olhando para o sentimento dela, posso sentir que ela fez isso pensando na minha felicidade. Quando comeco a conseguir olhar para tudo que recebi dela a partir deste ponto de vista comeca a ficar mais claro o amor e a preocupacao dela para comigo.

Quando eu tinha 10 anos de idade mais ou menos nos mudamos de Brasilia para o interior de Sao Paulo. Ela procurou uma escola para mim, escola de ingles, se associou a um clube onde tinha esporte, aulas de musica, grupo de dieta, chegou ateh a apresentar um filho do vizinho para ser meu amigo. Olhando agora, ela preparou totalmente um ambiente com tudo que ela achou que seria importante para eu crescer saudavel, feliz.

Mesmo quando olho os momentos que ela ficou com raiva, deu bronca, chourou, acho que talvez o lugar de origem destes sentimentos era o mesmo das acoes acima. Acho que dessa vez no naikan foi a primeira vez que consegui deixar um pouco de lado meus pensamentos de bom ou ruim, achar que eh obvio que deve ser feito, e consegui olhar um pouco para o que realmente a pessoa tentou fazer por mim, o sentimento como base das acoes.

Olhando a partir deste ponto de vista para as outras pessoas que me relacionei as vez mesmo que por um instante durante a vida, qual o sentimento que permeou essa minha relacao com a pessoa, por que ela fez isso por mim, por que eu fiz isso por ela?

Lembrei de pessoas como o motorista do onibus da escola de quando eu era pequenino, ele sempre sorrindo.

Uma vez que me perdi voltando da escola para casa entrei em uma loja onde a moca me deu agua e ligou para minha casa.

O porteiro/zelador da escola quando eu era adolescente, a maneira como ele cuidava das criancas.

A empregada da casa da minha tia, a maneira como ela cuidava da casa e de mim e do meu primo.

Quando olho por exemplo para a Silvia (empregada da casa da minha tia), olhando a maneira como ela cuidava da gente, como ela preparava a comida, dah para sentir o sentimento de carinho dela ao fazer as coisas. Ao imaginar ela fazendo as memas coisas na propria casa dela nao imagino muita diferenca na maneira dela fazer. Acho que naquela hora no momento de cada acao, nao tem muita relacao se eh trabalho, se eh familia, acho que naquela hora se manifesta a relacao de pessoa com o pessoa. O sentimento de pessoa para pessoa. A coisa mais essencial que parece existir em cada um.

A segunda parte do naikan foi olhando para mim historia a partir do tema das mentiras, se agi pensando no que os outros pensariam, as vezes que escondi meu sentimento.

Acho que quando eu tinha uns 12 anos meu primo me perguntou se eu ja tinha ficado com alguem, eu menti e falei 3 vezes ja. Eu lembro que durante e o colegial e ateh a faculdade foi uma coisa que sempre me preocupei em relacao aos amigos em volta. Achava que para ser aceito ou bem visto precisava estar ficando com as pessoas, e olhando agora o quanto me movi indo em festas, fazendo coisas que nao queria, tentando mostrar para os outros que eu estava fazendo como todo mundo, que eu era “normal“. Olhando agora para isso por mais que ouvisse coisas/ palavras das outras pessoas sobre esse assunto, o tamanho que isso tomou dentro de mim nao quer dizer que era o mesmo dentro das outras pessoas. A maneira que me preocupava com isso nao quer dizer que era a maneira com que as outras pessoas se preocupavam, que isso seria uma condicao para ser aceito, ter amigos, me divertir.

Acho que naquela hora poderia ter dito para ele, ainda nao fiquei com ninguem, mas tenho vontade, me ajuda? Poderia ter somente aberto o coracao como estava na hora.

Olhando para esse exemplo, coisas que tomo hoje no dia a dia sobre como as pessoas vao pensar sobre mim, sobre um Eu que precisa ser assim ou assado, tentando me proteger, mostrar algo que nao eh. Fico pensando o quanto serah que isso eh realmente importante para as pessoas que estou me preocupando, quando que isso tambem serah importante para mim daqui uns dias, meses, anos?

Acho que desde de pequeno tive uma certa dificuldade em mostrar meu sentimento, minha emocao, o que exatamente estou pensando naquela hora. Lembro uma vez que comecei uma escola tecnica e depois de umas duas semanas quis desistir. Naquela vez o que falei para minha Mae foi: se eu for nessa escola de manha a tarde vou estar cansado para a outra escola. Mas acho que o que realmente estava sentindo era uma dificuldade em me dar bem com os outros alunos de la, era um pessoal mais velho que eu, que ja trabalhava, nao conseguia me conectar ao mundo deles logo de cara e me sentia triste ao estar la. Por que serah que apenas nao falei como estava naquela hora?

Lembro de minha Mae falar uma vez para algumas pessoas: o Diego eh inteligente. Ou entao meu pai sempre falava: eu nunca entrei numa briga. Eu lembro que essas palavras entraram muito forte em mim e ao ouvir isso pensei que nao poderia brigar com as outras pessoas, ou que deveria sempre me esforcar para manter uma imagem de pessoa inteligente.

Acho que especialmente no caso dos meus pais e familia me preocupei muito com que pensam de mim, qual a imagem que tem sobre mim e tomei muitas acoes a partir disso.

Por exemplo no caso da igreja, desde pequeno eu nao queria ir. Eu acho que eu poderia ter feito como no caso do alcool que mesmo minha Mae nao gostando eu fui tomar escondido, por que no caso da igreja eu nao briguei e deixei de ir? Acho que era uma preocupacao em como seria visto pelos meus pais, como seria minha imagem perante eles. Talvez o alcool eu fiz por que achei que eles nao saberiam, nao iria interferir na minha maneira de ser visto.

Fazendo essa regressao em varias fazes da vida em varias cenas praticas, senti que foi ficando um pouco mais facil olhar para mim o que acontece agora da maneira como estah acontecendo. Aceitar o que esta acontecendo da maneira como eh. Acho que a partir de poder olhar o Eu como estah e tendo em vista como quero ser, qual tipo de relacao quero ter com as pessoas fica facil de ver o caminho a seguir.

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[da reunião de pesquisa de sábado]

※ “o pensamento” e “a emoção”
Geralmente, na maioria das vezes, fala-se o que pensou (o pensamento).
Antes porém, existe em primeiro lugar [a emoção] (o sentimento).
E muitas vezes fala (expõe) os pensamentos que justificam (tenta tornar justo) estas emoções.
[está gostoso porque esta gelado] [está ruim porque está morno]
No entanto [. . . porque está gelado] [. . . porque está morno], são pensamento que foram colocados depois.

※ as emoções interpessoais
Tanto em casos de elogiar como no caso de criticar as pessoas, em primeiro lugar exite o seu próprio sentimento (emoção).
O mais importante é esse sentimento(emoção), é uma questão seríssima.
E quando se diz a respeito de alguém? Plausivelmente justifica, bota razões, na fonte da sua própria emoção.
Do lado de quem ouve, também ouve, tentando receber, aceitar este seu pensamento.
Não está observando o seu próprio sentimento.
Nem a pessoa que está ouvindo não esta observando o sentimento desta pessoa.
Mais do que a fala ou o conteúdo do pensamento desta pessoa, como é a “emoção interpessoal” desta pessoa deste momento?
Se é com as crianças , mais do que a disciplina e as teorizações, os sentimentos(emoções) interpessoais dos pai é que vão ser projetados e implantados.
O “ethos social”, mesmo isso, são os sentimentos (emoções) interpessoais desta sociedade é que criam o “ar” (a característica) desse lugar.

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Onde está o conflito?

Essa pergunta é muito legal!! porque não é nada óbvio, eu realmente não sei onde está o conflito. Vou aproveitar que aqui em casa tem bastante, pra tentar encontrar! haha

Esses dias estou achando o Pedro mais “atacado”, parece que ele está procurando briga. Ao pensar nessa pergunta (onde está o conflito), percebi que nunca tinha parado pra pensar no que está por trás disso, qual a motivação dele? Abriu uma janelinha… Ao invés de reagir à fala dele “Mari você fez isso errado”, pensar o que ele está querendo ao falar isso…

Quando vejo que ele pega no meu pé ou no do Rafa, liga em mim o sistema de alerta: vai dar briga! Ainda não está acontecendo nada de mais além dele se expressando, mas em mim já tem a expectativa do conflito e essa expectativa já é o início do conflito em mim.

Se é só ele com o Rafael, fico tensa, mas menos tensa do que quando é comigo.

Se é comigo, fico preocupada em não fazer nada errado, ou seja, pronta para me defender caso alguém me acuse de ter feito algo errado.

No momento em que me senti em conflito, pensei: estou fazendo algo errado? Não, estou só querendo saber o que eles pensam e querendo dizer o que eu penso. Assim, fica muito mais calmo dentro de mim.  

Ainda vou observar mais, mas por enquanto percebi que o conflito se instaura quando eu mesma acho que fiz algo errado e então quero me defender da acusação de fora, mas a acusação já está dentro, eu estou me acusando, estou em conflito comigo mesma.

Aguardarei próximas brigas o.O hehe  

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