relato – Seminário As One in Suzuka – Julho/2020

Há tantos pensamentos no meu coração(mente) agora e sinceramente não sei como expressá-los.
Existem várias coisas, como a segurança que vem da conexão, esperança para o futuro, desejo adicional de investigação e o lamento de que esse tempo vai acabar daqui a pouco.
Vou tentar escrever como eu sinto e sinto.
Eu realmente gostei do ato de explorar/investigar com “como será na verdade?”
Eu realmente ainda gosto de desafiar/explorar o desconhecido.
Penso que explorar/investigar “como será na verdade” é um ato de mergulhar no inconsciente.
Até agora, eu havia assumido que já vinha soltando as idéias fixas e as suposições, mas mesmo essa ideia fixa soltou.
É realmente divertido, a mudança.
Ao remover as idéias fixas e suposições instaladas inconscientemente, percebi que havia em mim o desejo que todos sejam felizes.
Eu pensei assim do fundo do meu coração.
Parece que já faz muito tempo que entro em contato com sentimentos tão inocentes e tão calorosos.
E descobri/identifiquei a causa que fazia nublar esse desejo puro.
Era um forte espírito de competição dentro de mim. E havia um complexo de inferioridade por trás disso
Sob o efeito do fascínio da investigação, à medida que a investigação foi avançando, veio à mente, os pensamento como, “eu sei”, “eu tenho mais experiência”, “eu sou mais interessante” e “sua resposta está errada”.
Eu estava comparando as minhas falas(as observações) as falas(observações) dos outros e determinando o superior e o inferior com os meus próprios critérios.
Havia ali, um eu que estava feliz em entrar no jogo de quem é superior/inferior, jogo esse que eu mesmo criei
Provavelmente todo mundo estava percebendo isso.
Olhando para a minha vida até agora, acho que o princípio da ação era o espírito competitivo de querer ser superior às pessoas.
Foi divertido com isso.
Eu não nego isso.
Em vez disso, gostaria de elogiá-lo por ter feito o seu melhor.
Eu tinha a consciência que era competitivo.
No entanto, eu não tinha consciência que havia um sentimento de inferioridade por trás disso.
Pude notar o sentimento de inferioridade enquanto me encarava no tempo denso desses 7 dias. (masculino 25, S.M.)

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A falta de consciência que estou fazendo a partir do meu pensamento – [27/07/2020]

Na marmitaria
A Myuki san perguntou se podia usar a carne, eu disse que sim.
O que eu usei como base para dizer sim?
1. O pedido de marmitas a partir de agora não deve ser maior que 15.
2. Pensei que aquela carne seria possível fazer o quanto quiser.
Por fim, veio um pedido de 30 marmitas e na verdade aquela carne não dava para fazer mais. Acabamos fazendo as marmitas da loja com um conteúdo diferente.
Se não tivessem vindo pedidos, ou se desse para ter feito mais da mesma carne, eu nem perceberia que estou tomando essas decisões com base apenas no meu pensamento.

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“Vish”

Uma marmita sem o menu principal foi entregue pra um cliente.
Quando ouvir isso, pensei já um “vish”.
Por minha causa (equipe de montagem), o cliente vai ficar insatisfeito, a reputação da loja vai ficar ruim, vamos ter que fechar a marmitaria.
Minha cabeça faz essa jornada toda.

Mas tudo isso parte do “vish, culpa minha” lá do começo.
Eu nem sei se isso realmente foi entregue pro cliente, nem sei o que a pessoa sentiu com isso.
E o mais importante, eu nem tento saber e já parto pro medo.
Daí fica a dúvida: no que que eu to usando energia?
No que eu to usando a inteligência?
Que tipo de vida eu to vivendo?
O estado do meu coração é a base pra o uso normal da inteligência humana.
Aproveitar a vida talvez começa por aí.

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17 07 2020 – Unagi

Tem um prato famoso no japão que se chama Unagi. 
Um tipo de peixe assado e servido com molho em cima do arroz. 
Um dia durante a reunião de administração e desenvolvimento da marmitaria o pessoal disse que devido ao corona o Unagi estava barato no mercado e surgiu a ideia de comprar e colocar no dia do mês da marmita especial. 
Durante a conversa eu disse que nunca tinha comido o Unagi. Uma semana depois o Sugie San (tiozinho que escreve os livros do ScienZ) que estava na reunião me enviou uma mensagem no zap me chamando para ir comer o Unagi. Foi eu, ele e mais um mano que trabalha na marmitaria, o Kumai San. 
Foi a primeira vez que comi Unagi, tava uma delicia.
Fiquei muito contente.

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Amor parterno/amor dos pais – [13/07/2020]

Desde que eu vim para o japão fazem tres anos minha mãe sempre fala: Diego volta logo, vem logo para casa!!

Depois que começou o corona ela nao falou isso nenhuma vez. 

Se for para o Brasil agora eu nao tenho muito o que fazer por lá, a gente nem vai poder se encontrar muito. Acho que ela entendeu que para mim agora eh melhor eu ficar por aqui.

Mesmo querendo estar perto da outra pessoa, pensando na felicidade da outra pessoa, talvez entende que agora estar perto vai no sentido contrário do que se deseja. Ao ver isso fica com vontade de apoiar a pessoa no que ela deseja fazer agora.

Achei interessante esse sentimento. 

(quero explicar para o pessoal do brasil o contexto de eu ter escrito este blog, essa parte aqui não escrevi em japonês naquele dia.

Eu e a Haruka estavamos namorando, porém revendo objetivamente nossa relação, em que base estávamos fazendo, como estava nossos estados de coração dentro dessa relação, nos dois e as pessoas em volta percebemos que eh melhor por enquanto deixar essa relação no zero, para que cada um de nós possa primeiro criar sua própria autonomia e para poder a partir disso os dois se relacionarem a partir da liberdade de cada um, verdadeiramente livre.

Esse blog escrevi após ela me dizer claramente que por agora nao queria ficar perto de mim para poder se concentrar no dia a dia aqui da academia. Mesmo entendendo e querendo fazer o mesmo que ela, quando ouvi as palavras dela fiquei um pouco triste e ao lembrar desse exemplo da minha mãe entendi o sentimento que também havia em mim em relação a Haruka.

Acho que eh um sentimento que pode haver de qualquer pessoa para qualquer pessoa ao desejar a felicidade do outro. No blog escrevi de propósito de maneira não muito clara para que apenas: entendedores entenderão.)

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programa de estágio 13/março a 12/julho – Parte 01

Minha motivação para vir:
Meu filho Felix está aqui, meu sobrinho Leo, o amigo do Brasil, o Diego.
Queria entrar em contato com eles no dia a dia na comunidade, especialmente no local de trabalho.
Queria conhecer o clima dos meetings, como era agora a cultura do ouvir mutuamente, do conversar mutuamente
Queria entrar em contato com a “sociedade” que pelos relatos de outros tinha começado a “tomar forma sem ter forma”.
Queria aprender sobre o que é “receber uma pessoa”, “preparar um ambiente que promove crescimento”, crescimento do sentido de a pessoa poder desenvolver e manifestar o que só ela tem, sem nada de submissão, forçação, mentira ou disfarce.
Tudo isso com o desejo na origem de eu mesma puder remover de mim aquelas partes adquiridas durante toda uma vida que se tornam obstáculos para viver de forma alegre, feliz e rica de verdade.
Um processo que iniciou nos últimos anos pelo intercâmbio com a As One Suzuka, e que se acelerou bastante através da minha participação nos cursos que o Ono san começou a zelar na nova Escola ScienZ no Brasil.
Quando meus amigos suíços planejaram a participação no Naikan aqui em Suzuka no começo de março, eu senti imediatamente a vontade de vir aqui e apoiar o Naikan deles com a tradução. Com o apoio dos amigos e da família no Brasil consegui fazer a viagem para chegar a tempo.

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Depois da tradução e de acompanhar o casal de Suíços numa curta estadia aqui na As One em Suzuka, eu iniciei o programa de estágio ScienZ.
Foram 4 meses, participando diariamente nos meetings com os outros estagiários, tendo mini-meetings constantemente (num ritmo de 2 a 3 por semana), e participando de no total 6 cursos da Escola ScienZ.
Convivi com uma outra companheira do estágio em um quarto os 3 primeiros meses até ela terminar o programa dela.
Eu tive como local de trabalho a marmitaria, sendo recebida pelo Diego e um outro jovem que está cuidando da administração geral da marmitaria.
Trabalhei junto com os estudantes da Academia, jovens japoneses, coreanos e brasileiros, e adultos da Comunidade.

Continuando em breve….

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“Curso para posicionar-se no Zero” – 28/junho a 4/julho de 2020

A pessoa que verdadeiramente consegue passar sua vida com alegria
A pessoa que vive uma vida sem amarras.
Uma vida sem nenhum tipo de fixação.
Uma vida baseada na realidade, uma vida sem nenhum tipo de resistência.
Uma vida sem falta, sem reclamação, sem ansiedade, sem crítica, sem apreensão, sem preocupação.
Uma vida feliz e alegre em qualquer que seja a situação, em quaisquer que sejam as circunstâncias.
Uma vida de leveza mental e física.
Uma vida saudável.
Uma vida sem nada torto, forçado, artificial.
Uma vida humilde, modesta.
Uma vida que realiza o objetivo inerente.
Uma vida baseada na verdade, na razão, no princípio.

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Ao contrário disso, 
a pessoa pequena, uma pessoa orgulhosa, uma pessoa que anda sozinha, uma pessoa que confia no próprio pensamento, uma pessoa parada no tempo, uma pessoa que se torna obstáculo para o princípio se realizar, uma pessoa que joga a própria vida fora, uma pessoa que vive uma vida limitada, estreita, apagada.

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Me deram essa oportunidade de participar do Curso para posicionar-se no Zero.
Dentro de um cotidiano simples convivemos em cinco pessoas, sendo guiados pelos temas pelo Sato san.
Senti às vezes saudade da casa. Mas também me senti aparentemente preenchida e segura pelas coisas que tinha. Me parece que por um lado tem uma força trabalhando para se ajustar ao que tem, mas também tem o lado do pensamento que se submete, que se convence a suportar as condições, sem entender direito a fonte da própria vontade.O que me move? Sem enxergar direito a própria vontade porque está camuflada pelos pensamentos que facilmente e sem querer se tornam fixações, certezas. Como isso é possível? O único jeito de saber parece que é observar o próprio pensamento, achar as distorções e tentar voltar ao estado normal. Nada disso é possível de se fazer sozinho. Precisa da honestidade pura, nua e crua para poder ver como viu, como ouviu e como reagiu. Só colocando para fora que existe a possibilidade de enxergar o mecanismo. Se eu muitas vezes sem nenhum tipo de estranhamento me machuco eu mesma com as reações aos meus próprios pensamentos, como eu vou poder enxergar sozinha o que está acontecendo comigo? Enquanto vai camuflando, embelezando, auto-explicando as próprias reações não existe a possibilidade de escapar das armadilhas da fixação, da obstinação, da teimosia, da obsessão.

Com um pouco só de entendimento da falsidade de fazer com o próprio pensamento, surge a vontade de trocar com os outros. Mas ainda é muito fraco isso dentro de mim. Foram muitos anos de andar sozinha, de julgar com o meu próprio pensamento, sem consultar os outros, baseado no próprio critério. 

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Tudo bem do jeito que está.
Tudo bem fazer o tanto que é possível fazer agora.
Em outras palavras, não existe nada que tem que ser feito. Não existe nada que tem que ser feito de um determinado jeito.

Tudo isso é pensamento humano.
Tudo bem as pessoas e eu falarem o que falam.
Tudo bem as pessoas e eu pensarem o que pensam.
Tudo bem as pessoas e eu fazerem o que fazem.

Não existe nada que é determinado na base do pensamento de nós seres humanos.
As coisas são como elas são.
Não tem como eu saber como são. Somente existe a minha percepção das coisas.
Realmente é intrigante pensar na causa da falta de interesse no “como será que são as coisas na real?”
Tudo bem também não ter interesse no como será que é na real.
Enquanto vai se esforçando, tentando “ser algo” não vai adiantar, de qualquer jeito.

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Para mim, acho que essa semana foi bastante reveladora no sentido de estar em um ambiente humano e físico de muita tranquilidade e simplicidade, assim penetrando essa soltura/sem fixação para dentro de mim como o ar e a água. Mesmo se eu me rebelar contra tudo isso, a força do original é vai trabalhando continuamente dentro de mim. 

A minha existência quer florescer como todos os outros seres. A minha existência quer realizar aquilo que está na origem dela. 
No momento ainda estou bem longe de tudo isso. Mas talvez muito mais perto do que eu possa imaginar. 

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Como será que era o sentimento da Marceline? [11/07/2020]

Ontem a noite eu estava tomando uma cerveja e conversando com a Jon In.

Uma certa hora a barriga roncou e eu fui abrir a geladeira, tinha um bolo lá. Estava escrito: de Marceline para o pessoal da Academia. Falei com a Jon In: bora comer!! e comemos o bolo. 


Depois no outro dia eu pensei: estava escrito para o pessoal da Academia, mas qual era o sentimento da Marceline em relação a isso?

Como será que ela queria que esse bolo fosse comido?

Acho que quando ela comprou o bolo ela deve ter desenhado alguma coisa: quem vai comer, em que oportunidade vai comer. 


O eu naquele momento apenas comi porque queria comer.


Como está escrito que é para o pessoal da academia e eu faço parte desse pessoal eu interpretei que tudo bem eu comer. 


Eu sou livre para comer o bolo, tudo bem comer o bolo, mas como será que era o sentimento da Marceline sobre isso?

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